Arquivo mensal: março 2012

O chulé voltou!

Bem pior do que ter um blog é ter chulé. Eu já tive os dois na chatice da pré-adolescência cheia de crises, espinhas, quilos e arrogância. Tudo foi embora no tempo certo. Até os quilos. E, por mais que você, sua mãe e seu cachorro duvidem, nem a arrogância existe mais.

Estava curado da escrita gratuita. Há muito tempo que não escrevo um texto só pelo prazer de escrever um texto. Sem a escrita, virei uma pessoa melhor: mais flexível e menos pedante. A escrita é meu álcool, minha metanfetamina. Estou até pronto para ir a alguma reunião de ex-viciados e dar meu depoimento. A única coisa que ganhei com a escrita, nos últimos tempos, foram alguns insultos e inimizades.

Claro que a saudade aperta. Não é fácil se livrar totalmente. Alguns textos começavam a surgir em minha cabeça durante os banhos, as noites de insônia e as viagens de Novo Horizonte. Mas eu era forte e logo afugentava as palavras que se formavam para não cair em tentação. E os amigos – logo os que eu mais considero – sempre me cobravam um gole, um textinho, umas palavrinhas. Um até sugeriu a ideia do blog bem quando o vício gritou forte.

A saudade apertou e deu vontade de ter um cantinho para escrever minhas bobagens e mostrar algumas coisas que eu gosto. Voltei, principalmente, porque (acredito eu) estou curado. Não escrevo mais com pretensões, sonhos e vontade de mudar.

Não há alcoolismo. Há, no máximo, a volta de um leve chulé. Se começa a feder muito, eu desisto. E desisto de vez.