Arquivo mensal: janeiro 2013

Run!

O fim de ano foi de muita cerveja gelada, acarajé no prato, frango rasgado no dente durante a viagem e arroz de polvo. Sim: arroz de polvo. Sei que parece frescura um simples jornalista comer iguarias ricas, mas queria ser abusado e dar na cara dos recalcados. Essa loucura financeira teve um resultado desastroso: comer podrão todos os outros dias em barraquinhas de procedência duvidosa para compensar o rombo no restaurante que deixaria até a Glorinha Kalil boquiaberta. Nesse lugar cheio de classe e fineza, tomei até vinho chileno (novamente um VRÁ na poker face de vocês).

Mas, sim, com tantas gordices e bebidinhas, acabei ganhando uns quilinhos desnecessários que comprometem o momento the edge of glory de tirar a camisa na praia com poder e sedução. Para alguém como eu, que já saiu de Jô Soares para Caio Castro (desconsiderem os extremos das duas partes, por favor), nada mais justo que ficar cismado com a borda que aparece na cintura (mesmo sendo de caturpiry, amores).

O que fazer? Ficar depressivo ouvindo músicas da Adele e comendo como a própria para inchar ainda mais? Não. Vender o meu corpo cabelo para conseguir grana e pagar uma boa academia? Também não. Aproveitei que chegou o verão, calor no coração, coloquei o único tênis que sobreviveu e fui correr na avenida. Todos os dias, depois do trabalho, eu tiro coragem não sei de onde e corro para o abraço e para a magreza.

Comecei a correr com amigos que falam para todos os mundos, todos os povos, todas as nações e todas as internets que ADOOOOORAMMM correr. Os argumentos vão desde os didáticos sonolentos (“libera endorfina”) até os mais deslumbrados (“me sinto a Globeleza no calçadão do Leblon”). Comigo não tem essa. Não gosto de correr. Vou por obrigação. Preferia estar em um bar. Ou jogado no sofá vendo séries. Ou na Igreja louvando e gritando Deus é fiel. Mas, não. Estou lá: correndo, suando e emagrecendo. Tudo para caber nas camisas M e nas calças 40. Imagina um mundo onde eu não caibo mais nas roupas que eu cabia e não encho mais a casa de alegria? Não dá.

O problema não é só correr. É qualquer atividade que faz o corpo gritar de dor (e tome Dorflex pra dentro). Sem mentira, a única atividade física que eu realmente gosto é fazer sexo nadar. Mas como é mais barato pagar uma prostituta mineira bilíngue do que pagar a mensalidade da Natação, não me resta outra saída. E não se enganem: corro para poder fazer gordices nos feriados e fins de semana.

Fato é que, gostando ou não, é importante fazer um esforço por motivos de: ficar saradão para rebolar no Axé Moi saúde. Tem também a sunga na praia, os elogios, aquela blusa vermelha que não ficava legal há séculos e a autoestima. E aí? Vamos para a malhação, que faz bem pro coração e o corpo fica igual a um violão?

run

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